O que o canavial tem a ver com a cana?

Posta assim, a pergunta do título parece ter resposta óbvia: se um canavial é uma plantação de cana (em geral de açúcar), então a palavra “canavial”, assim como suas cognatas “canavieira” (planta gramínea) e “canavieiro” (relativo a cana, que cultiva cana), deriva de “cana”, certo? Errado.

Senão, como explicar o surgimento desse elemento ‑avi‑ entre o radical can‑ e o sufixo formador de coletivos ‑al? Algum desavisado poderia sugerir que se trata de um elemento de ligação (tecnicamente, um interfixo) a engatar o radical e o sufixo uma vez que a simples justaposição de amos daria “canal”, que evidentemente significa outra coisa. Mas, na verdade, a história é outra.

“Canavial” era originalmente uma plantação de cânave, ou cânhamo, erva fibrosa de origem asiática cuja denominação científica é Cannabis ruderalis. Portanto, parente da Cannabis sativa, mais conhecida como maconha.

Resultado de imagem para cânhamo Resultado de imagem para cana da india Resultado de imagem para cana de açucar Foto: flickr.com/edwardthebonobo
Cânhamo                     Cana da índia               Cana de açúcar                     Maconha

O nome dessa planta se origina do grego kannábis, que nos chegou via latim cannabis (proparoxítono, que deu “cânave” em português) e cannabus, que resultou no espanhol cáñamo, étimo de “cânhamo” em nosso idioma.

Em resumo, um canavial era uma plantação de cânhamo, vegetal muito utilizado na fabricação de papel. A lavoura de cana passou a ser chamada de canavial muito mais por associação fonética do que por ligação etimológica, que, aliás, não existe, já que “cana” provém do latim canna e não de cannabis.

Por sinal, a própria denominação “cana” engloba espécies muito diferentes de plantas, desde a cana da índia, da família das canáceas (ou Cannaceae), até a cana do reino (Arundo donax) e a cana de açúcar (Saccharum officinarum).

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